Por que a gente continua se apaixonando por quem faz sofrer

Você já se pegou pensando nisso? Termina um relacionamento que te machucou, promete que dessa vez vai ser diferente, e lá está você, semanas ou meses depois, atraída exatamente pelo mesmo tipo de pessoa.
Não é falta de amor próprio. Não é burrice. É neurociência. E entender o que está por trás disso muda tudo.
O cérebro confunde dor com intensidade
Quando um relacionamento gera altos e baixos constantes, o cérebro interpreta essa montanha-russa emocional como paixão intensa. A dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer e à recompensa, é liberada em maior quantidade justamente em situações de imprevisibilidade.
É o mesmo mecanismo que prende pessoas em jogos de azar. Você não sabe quando vai ganhar, e é exatamente essa incerteza que te mantém jogando.
Com alguém estável, carinhoso e previsível, o cérebro muitas vezes não sente essa descarga. E interpreta isso, erroneamente, como falta de atração. Como se algo estivesse faltando.
A atração pelo que é familiar
Mas a neurociência é só parte da resposta. A outra parte é mais profunda, e começa muito antes do primeiro relacionamento.
A gente tende a se sentir atraída pelo que nos parece familiar emocionalmente. Se na infância o amor veio acompanhado de inconsistência, de conquista, de ansiedade ou de distância emocional, o sistema nervoso aprende que isso é o que o amor parece.
Quando aparece alguém que reproduz esse padrão, não há alarme. Há reconhecimento. Uma sensação de “essa pessoa me entende” ou “com ela é diferente” que, na verdade, é o sistema nervoso encontrando o que aprendeu a reconhecer como amor.
E quando aparece alguém saudável, gentil, disponível, pode parecer sem graça. Sem aquela energia. Sem aquela faísca.
O ciclo que ninguém conta
O relacionamento com quem te faz sofrer raramente começa com sofrimento. Começa com intensidade.
Atenção avassaladora. Conexão que parece única. A sensação de que nunca sentiu nada assim por ninguém. Esse início cria um vínculo forte, que persiste mesmo quando o sofrimento começa.
Aí vem o ciclo:
Conflito ou afastamento → sofrimento → reaproximação → alívio e euforia → nova fase boa → novo conflito
Cada reaproximação reforça o vínculo. O cérebro associa aquela pessoa ao alívio, não à dor. E é por isso que terminar parece impossível, mesmo quando racionalmente você sabe que precisa.
“Mas com ele é diferente”
Essa frase aparece em quase todos os relacionamentos que seguem esse padrão. E ela é verdadeira, de certa forma.
Com ele é diferente porque a intensidade é real. O vínculo é real. O amor que você sente é real.
O problema não é o amor. O problema é o padrão que está sendo repetido e o custo que esse padrão cobra ao longo do tempo. Da sua autoestima, da sua saúde emocional, da sua capacidade de confiar em si mesma.
Cada vez que o ciclo se repete, fica um pouco mais difícil acreditar que existe algo diferente para você.
O que mantém você presa
Além da química cerebral e dos padrões aprendidos, há um terceiro fator que mantém esse ciclo ativo: a crença de que você pode mudar o outro.
“Se eu amar o suficiente, ele vai mudar.”
“Ela é assim porque foi muito machucada. Com o tempo vai melhorar.”
“Eu sei como ele é quando está bem. É esse que eu amo.”
Essa esperança é real. E ela é alimentada pelos momentos bons do ciclo, que existem e são genuínos.
Mas amor não muda padrão. Processo muda padrão. E esse processo cada um precisa fazer por si mesmo.
O que isso diz sobre você, não sobre eles
O mais importante de entender aqui é que se você se vê repetindo esse ciclo, isso não diz nada de errado sobre você. Diz que você tem um padrão emocional que foi formado lá atrás e que ainda não foi revisado.
Esse padrão não é quem você é. É o que você aprendeu.
E assim como foi aprendido, pode ser transformado.
Como o Método ICC trabalha esse padrão
Quebrar o ciclo de se apaixonar por quem faz sofrer exige trabalho que vai além de “da próxima vez vou escolher melhor”. A escolha consciente não resolve o que opera de forma automática no sistema nervoso.
Na etapa de Identificação, o trabalho é mapear o padrão. Quem são as pessoas que historicamente te atraíram? O que elas têm em comum? De onde vem essa familiaridade emocional?
Na etapa de Controle, o foco é desenvolver recursos para reconhecer o padrão em tempo real, antes de estar no meio dele. Criar um espaço entre a atração e a ação, onde escolhas diferentes se tornam possíveis.
Na etapa de Cura, o processo vai à origem. Revisitar as experiências que ensinaram que amor e sofrimento andam juntos. Construir uma nova referência emocional para o que é um vínculo saudável, para que ele comece a parecer atraente, não sem graça.
Você não está condenada a repetir
O relacionamento que te alimenta em vez de te esgota existe. A atração por alguém estável, presente e saudável é possível. Não como resignação, como se fosse a opção “menos empolgante”. Mas como uma escolha que faz sentido porque você mudou o que estava por baixo.
Isso é transformação real. E ela começa com entender por que o padrão existe, não com se culpar por tê-lo.
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Felipe Rodrigues - Psicólogo de Relacionamentos
Sou Felipe Rodrigues, Psicólogo Clínico (CRP 01/23953), formado em Psicologia pela Universidade Paulista. Com ampla experiência em relacionamentos, meu trabalho é ajudar você a fortalecer conexões amorosas, familiares e corporativas. Meu propósito é apoiar sua jornada rumo a uma vida mais equilibrada, plena e emocionalmente saudável.






